quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

GOSTO PSICODÉLICO

Tínhamos um ao outro,
Sem mesmo o saber.
Atitude psicodélica e espiritualismo
Não combinam com viço;
Com carne; com pele...

Depositei minha covardia no silêncio
E estendi meus braços pro vazio
E te beijei, num gosto que só eu senti;
Psicodélico... espiritual...

Enquanto isso, nossos lábios bailavam distantes,
Sem se conhecer
E sem nunca ter se provado...
                                                    (Sandro Penelú)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"Faz assim" - composição de Leoni


UIVANDO

Você recitou para mim
Vinícius de Morais
Nosso primeiro encontro...

E, tal qual o “poetinha”,
Vi em você muito além da beleza;
Muito além do triste;
Muito além do você...

Desci rua abaixo de mim mesmo
Uivando, inquieto
E a música ainda ecoa em meus ouvidos
E o poema ainda fere deliciosamente
Minhas entranhas...

                                     (Sandro Penelú)

sábado, 9 de novembro de 2013

Voz e violão para "Garotos"


SEDE DOS LOUCOS

Teus beijos abocanhavam meus lábios
Com a sede de quem enlouquece
E nós enveredamos pelo labirinto
Do destino...

Sumimo-nos; desgrudamo-nos
Saímos do labirinto.
Agora, à nossa frente,
Um largo e longo caminho;
Um longo e largo descaminho...

                                   (Sandro Penelú)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

CENA DEVORADA

Do outro lado, as mãos,
Os acordes...
Os olhos brincavam, como crianças.

Mas a fome da carne sugava-os,
Devorando a cena
E eu provei do seu desejo
E ele tinha o gosto dos seus lábios
E a loucura do seu corpo...

                              (Sandro Penelú)

domingo, 20 de outubro de 2013

Interpretando "Amanhã não se sabe"


SEGREDOS DE ÁRVORE

Impossível não acreditar
Nos segredos contados
Por uma árvore;
ela soube de tudo...

Os lábios fisgaram os olhos
e terminaram o ciclo
com gosto de lágrima.

O beijo quente; molhado...
A carícia, o afã...
E o teu cheiro,
Vibrando em minhas entranhas...

                                  (Sandro Penelú)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

FANTASIA ALUCINADA

A rua não é mais a mesma,
Corpo que guarda um corpo...
Não estás mais aqui.

Busco pelo sorriso,
Pelas pedras que gemem sem suas pisadas.
Não estás mais aqui.
Vasculho a cidade, alucinado...
Alongo a fantasia e o sonho vivo.

E pensar que um dia fui puro,
Como as nove estrelas em tuas mãos...
                                      (Sandro Penelú)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

HORA ERRADA

Eu tinha lhe guardado um sonho
Eu queria lhe mostrar uma canção...
Para um dia cantar com você,
Guitarra e violão.

Cinco fichas, um orelhão...
O seu número vibrando em meus dedos.
A sua imagem num palco distante;
Inalcançável.

A sinceridade doeu na hora errada
E eu cantei sozinho
Aquela canção...

                             (Sandro Penelú)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

INQUIETOS

Um meio-fio era mais que suficiente
Para encravarmos dois mundos
Diferentes, inquietos.

A melodia maior eram seus lábios,
Que eu devorava feito fera
No cio...

Alheia a tudo isso,
A noite sonhava colorido
E desabava na falta
Do longo sabor da vida...

                        (Sandro Penelú)

sábado, 27 de julho de 2013

SORRISO DE PEDRA

Rosas e pedras foram iguais;
Nasceram do mesmo beijo,
Do mesmo desejo.

Um sorriso, de dentes montados,
Alucinava minha própria loucura,
Até que a noite te varreu de mim
E eu diria – para sempre...

Rosas e pedras foram e são iguais...

                                    (Sandro Penelú)

sexta-feira, 19 de julho de 2013

OLHOS NA CALÇADA

Uma bola de vôlei era um mundo
Onde se aproximavam dois mundos.
Todos os deuses da paixão
Conspiravam pros encontros
Desencontrados...

Um cartão;
Aniversário;
Sede...
Sede de sua palavra, de sua boca, de você.

Enquanto isso, nas calçadas estreitas,
Seus olhos germinavam...

                            (Sandro Penelú)

"Uma mensagem de amor", com Penelú

segunda-feira, 15 de julho de 2013

DOMINGO DISTANTE

Um dezembro como testemunha
De um beijo caçado;
Conquistado...

Um banco de cimento
Que para sempre pertenceu à rua.
Um par de lábios quentes
Emudecidos pela volúpia;
Pelo frenesi...

Um domingo distante;
Perdido,
Encravado em mim...

                         (Sandro Penelú)

Voz e violão para "Uma brasileira"

sexta-feira, 12 de julho de 2013

FLOR DO VIÇO

Era a quase timidez
E eu mais que tímido.
Ping pong na calçada
Seu corpo que me levava
Pra lá e pra cá
- dentro de mim mesmo –

Teus lábios tão perto
E infinitamente distantes
E um gosto de pureza de chocolate
Na flor de um viço adolescente...

                                 (Sandro Penelú)

Cantando mais uma vez com o amigo Aldo Melo, "Um chopp pra distrair"

quarta-feira, 10 de julho de 2013

DUAS SALIVAS

Quando duas salivas se bebem
No êxtase endividado da busca,
Um sopro frenético acaricia
As bordas de um vulcão de lábios,
Enquanto um calor se derrama feito lava
Ardendo no ego.

Quando duas salivas se fundem,
Há pedaços de vida por todo canto,
Daria para explodir o mundo,
Concentrada energia do desejo,
Silenciosas garras da libido,
Ardente busca inacabada...

                          (Sandro Penelú)

De Almir Sater, "Trem do Pantanal", com Penelú

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O TREM

O trem passou
Carregado de sentimentos
-          amor, ódio, angústia,
-          dúvida, medo, alegria...

O trem passou
E vomitou na estação
O concreto e o abstrato
De todos eles.

O trem, parado,
Esperava
O retorno dos sentimentos...

                           (Sandro Penelú)

Com mais uma ótima participação de Aldo Melo, "Tigresa"

sexta-feira, 28 de junho de 2013

PARAÍSO INDESTRUTÍVEL

Quando desabitarmos o universo
visível,
O Apocalipse será quântico,
Magnífico.

Quando desabitarmos nossos corpos
Feitos de carne,
Só a essência será o tudo do tudo
E o invisível, o paraíso indestrutível da criatura...

                                           (Sandro Penelú)

Voz e violão para "Tarde em Itapoã"

quarta-feira, 26 de junho de 2013

UM SEGUNDO

Uma estrela soberba,
De cabelos esvoaçantes,
Riscou um segundo,
Tempo mais que suficiente
Ou insuficiente
-          não sei
Uma estrela viva
Em minha poesia,
Dentro e fora de mim.

A rua, agora vazia,
É como o espectro do silêncio,
Sombra difusa, confusa,
Bailando em mim...

                     (Sandro Penelú)

"Sua estupidez", com Penelú

sexta-feira, 21 de junho de 2013

FRIA IMENSIDÃO

Há passos na calçada,
Sonhos presos ao chão.
O relógio,
Ora tique, ora taque,
É pura ilusão.

Bebo o fel da tua ausência,
Num masoquismo amargo
E ainda dou-me gostosas risadas.

É sempre assim,
Até confundir-me com a fria imensidão
Do Infinito...

                              (Sandro Penelú)

Com participação de Aldo Melo, "Sozinho"

terça-feira, 18 de junho de 2013

O TOQUE DA SOLIDÃO

Apenas vago, como tantos que navegam
Em busca de respostas,
Respostas que eu, inquieto, possuo-as
E, desesperado, me acalmo
Contemplando os lençóis,
As chamas que não me arderam,
A noite que não me beijou na madrugada

E, sozinho,
Estamos ainda abraçados.

                           (Sandro Penelú)

Um dos clássicos de Peninha, "Sonhos", com Sandro Penelú

sábado, 15 de junho de 2013

PEDRAS

Pedras e rosas não são diferentes.
Pelo contrário: são iguais.
Nos meus braços, a dor cresceu,
Desceu por sobre os vales,
Arrancou o verde
E trouxe pedras
Que cheiravam a rosas...
                         (Sandro Penelú)

Acústico para "Saudades da Bahia"

domingo, 9 de junho de 2013

ECO

A alma vaga no inconsciente de mim.
Sedento, ouço-me no abismo,
Num eco abafado que flutua ao silvo do vento.
Minhas dores são como cores que brilham
No êxtase do prisma que me rouba um beijo
E me devolve a luxúria e o prazer...
                                          (Sandro Penelú)

Cantando "Que pena" com o amigo Emanuel,

NOITES

Faceiro,
Dengoso,
Atraente,
O teu jeito.

E tua mãe
Que não sai do portão...

                         (Sandro Penelú)

terça-feira, 4 de junho de 2013

Do grande Renato Russo, "Quase sem querer"

ESPELHO

A lua clara que sonha
No vazio da chama vermelha
Colhe neste teu seio
A cor tenra da meiguice
E eu, que sou mar,
Espanto para longe a areia,
Salpico de sorrisos o desejo
E me olho no espelho do teu espelho...
                                 (Sandro Penelú)

"Qualquer coisa", um clássico de Caetano, com Sandro Penelú

DA LUZ AO AMOR

Fascina-me a vida, o pulsar
As pessoas...
Fascina-me a música do ar
A liberdade de ir e vir

O belo encantado de cada ser humano.
Fascina-me o toque, o afago
O sorriso...

                              (Sandro Penelú)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

SENSAÇÕES

Vejo amor em seus olhos
Em sua voz...
Um amor que não é meu
Que me é distante
Como nave perdida na vastidão do Universo.

Vejo cores que me convidam
E me inspiram os mais belos poemas
E me trazem você
Com um sorriso brilhante;
Provocante...

Deleito-me nessa tênue fantasia
E cada vez mais me transportando
Para além da concepção humana.

O pensamento me leva ao seio da mitologia;
Ao leito de Ísis
Despida e linda, entreabrindo os lábios
Num gemido de amor e desejo.

Volto a mim, exausto
Ainda sentindo as carícias
De uma deusa que me envolveu por inteiro
E se me dera, louca de paixão,
Como nunca se entregara ao próprio Osíris...

                                             (Sandro Penelú)

Cantando descontraidamente com o amigo Danilo Rodrigues, "Primavera" e "Azul da cor do mar"

AZOHR

Quando sobre mim
Desabou a tempestade
E das nuvens
Relâmpagos gritavam
Num clarão de fogo,
Vi que meu peito se abria
E dele, um dragão colorido
Avançava sobre o meu pensamento

Na espreita...
No aguardo das faíscas
Que saíam do meu crânio
E de cada fio de cabelo
Pendia uma serpente
Cujo veneno era disputado
Por um par de dinossauros
Que nasciam dos meus braços...

                               (Sandro Penelú)

sábado, 1 de junho de 2013

Cantando "Peixinhos do mar"

ALUCINOGENADAMENTE

Desponta-me uma cidade de cogumelos coloridos
Onde serpentes voadoras
Enroscam-se e comem seus caules
Onde vozes entoadas do além
Chegam aos tímpanos das árvores
Avisando das folhas gigantescas
Que carregam minha cabeça
Aberta em pétalas
Para ser colhida por um cometa apaixonado
Que a levará ao espaço cósmico
E a presenteará a uma estrela linda
Sua eterna namorada...

                             (Sandro Penelú)

"Palpite" - acústico

ESTRATOSFERA

Quando os seres humanos se precipitarem no espaço,
O ouro dos ambiciosos sumirá no infinito.
O orgulho perder-se-á no Universo.
As armas atômicas vagarão no vácuo.
Ouvir-se-ão prantos,
Gritos desesperados...
Até que o vazio rapidamente os devorará...

                                         (Sandro Penelú)

Interpretando "O teatro dos vampiros"

quinta-feira, 30 de maio de 2013

CINZAS MORTAS

Posso te dizer da dor,
Do encontro sem junção,
Do pulsar acelerado,
Do coração batendo,
Da canção nascendo,
Do sonhar te fazendo amor,

Da carícia que excita,
Das cinzas mortas a voarem desfeitas,
Dos pedaços sem complemento,
Da cama fria, vazia, sem paixão...
Das súplicas rebeldes,
Do anoitecer melancólico
E do amanhecer radiante
Provido de soberba esperança.

                                 (Sandro Penelú)

Mais uma vez cantando com Aldo Melo, "O samba da minha terra"

IMITAÇÃO DA VIDA

Caminhando pela tarde
A vida esbarrou-se na paixão
O vento, sem nada comentar,
Sorriu com malícia
Corações apressados voavam pelo peito

E o pó da estrada
Irrequieto, em redemoinho,
Imitação da vida;
Imitação de mim;
Imitação plena do Ser...

                         (Sandro Penelú)

Interpretando "O ronco da cuíca"

quarta-feira, 29 de maio de 2013

TURBILHÃO

Com os olhos rubros
Grudados no futuro
Uma sirene de fábrica
Avança por sobre o mar.
E Netuno, incrédulo,
Colhe frutos deixados pela fumaça,
Fumaça que esfumaça.

Com os olhos marejados
Grudados em ti
Um turbilhão rompe no peito
E avança silenciosamente
Fazendo estragos danosos em mim...
                                   (Sandro Penelú)

Cantando junto com o amigo Aldo Melo, "O que me importa?"

MORDIDA DA DOR

As lavas do inconsciente brotaram quentes
das profundezas do eu.
Alcançaram a superfície
esbarrando-se na multidão cega
conduzida, dominada..

Ainda fechei os olhos
mas nada é mais real que a visão da alma.
Até ensaiei um grito
mas tive de afogá-lo; implodi-lo...
Por fim, catei um pedaço qualquer
e, sorrateiro, coloquei-o sob tua janela.
Feri os braços ao roçar mais nos espinhos
que nas rubras e felinas rosas.

Recuei apressado; assustado
ante a mordida da própria dor
que rompia muito mais que as presas úmidas e vorazes
de todos os cães do mundo...

                                         (Sandro Penelú)

terça-feira, 28 de maio de 2013

DUALISMO

O avesso despregado
Distorcido, sem vida,
Caminha irreverente
Para o nada em mim

E o ser-prazer
Rebusca, encontra, colhe
Facetas disformes
Tão incógnitas quanto tu...

                        (Sandro Penelú)

Participação de Josas na percussão, "O leãozinho"

FEL

O fel amargo do ciúme
Deságua livre nos rios,
Enquanto ao longe
As andorinhas carregam consigo
O vento que o Sol esparrama

E eu rasgo folhas
Dispo palavras
E cato lembranças espalhadas
Pelo chão...

                         (Sandro Penelú)

domingo, 26 de maio de 2013

O SÊMEN

E lentamente
A folha abraçou a montanha
Enquanto o amor brincava sozinho
A quilômetros, distante...

E tão rapidamente
A palavra desceu aos campos
Ganhando da vida o sêmen
Explodindo, alucinado, o desejo
Entrincheirado em si mesmo...
                                (Sandro Penelú)

"O amanhã é distante", com participação de Vitinho

A FALTA DA FALTA

A fragilidade de um olhar
A sutileza de um toque
Os devaneios da Lua
A invadir nossas almas
A mutação presente
Nossos mundos se entrelaçando no infinito
Tua imagem a tomar conta de mim
A lida, a ida, a vida
A rota, a nota, a volta
O canto, o manto, o tanto
E ainda me falta
A falta da falta...

                      (Sandro Penelú)

Composta em parceria com o amigo Luiz Nascimento, "Noite de luar"

sexta-feira, 24 de maio de 2013

DISTÂNCIA CONCRETA

Tudo se apresenta qual distância concreta
Tudo é um caminho incerto
E por vezes errante,
Recheado de fuga do mundo.

Tudo é nada
Nada é tudo.

O amor é a paixão que evolui
A paixão é o amor que vibra.

Carinho, desejo e ódio se cruzam no infinito,
Filhos do mesmo amor,
Irmãos da mesma poesia.

Tudo me traz teus olhos.
Tudo é um caminho incerto.
Tudo é nada,
Nada é tudo...
                       (Sandro Penelú)

FOLHA DE CAPIM


Desço rio abaixo
Dentro de mim mesmo.
Exponho-me,
Corpo perecível,
Alma eterna...

E o único capim em minhas mãos
Antes verde, desejado,
Alquebra-se agora ao mais fino toque,
Enquanto ao vento
Pedaços, pedaços, pedaços,
Só pedaços...
                         (Sandro Penelú)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O FRUTO


Sorrindo, mostraste-me, como numa bandeja,
O fruto de desamor e da guerra,
Um fruto que dormia,
Sereno, em teus braços.

Ao longe, a noite nos relógios avançava.
Em nós, a soberba eternidade do desencontro
E um silêncio feito alma.

O fruto... Ah, sim!
O fruto, sereno, dormia...
                                   (Sandro Penelú)

"Na estrada" - acústico

RODA ENFEITIÇADA


De tanto vagar,
Sem metas ou caminhos,
Vi crescer alucinações,
Vi bailar serpentes venenosas,
Estátuas que conversavam,
Polvos de tentáculos gigantescos...

Vi o afã do Sol descendo
Para tomar um gole d’água no rio,
Vi as nuvens tomando formas macabras,
Vi um homem escancarando a boca
Para engolir um raio que caía...

Vi um gigante guerreiro
Fugindo da presença de um menino
E vi o mundo abrir-se ao meio
E ser colado às pressas
Por um louco colecionador de planetas...
                                    (Sandro Penelú)

Esta é com participação do amigo Aldo Melo - "João e Maria"

quarta-feira, 22 de maio de 2013

PROFECIA


Quando essa ventania cessar
E os vulcões se acalmarem,
Meu espírito descerá de uma estrela,
Brilhará como o Sol,
Incandescerá as trevas,
Misturar-se-á às águas do oceano,
Beijará a praia
E retornará às nuvens...
                         (Sandro Penelú)

Curta "Haragana", com Penelú

terça-feira, 21 de maio de 2013

TALVEZ


Quem sabe, por volta do ano 6888,
Veremos, já acostumados,
A passagem de naves silenciosas
Por sobre o nosso pequeno planeta...

Quem sabe, dragões alados
Farão parte da paisagem do Cosmos,
Cometas se abrirão em pétalas,
A Lua virá flutuar por sobre os mares,
Derramando de suas crateras
Um pouco de terra cor-de-prata...

Quem sabe?... Quem sabe?...
Quem sabe por quanto tempo
Ainda habitaremos este sonho vivo
Que é o planeta Terra?
                            (Sandro Penelú)

"Grito de alerta" - de Gonzaguinha - com Sandro Penelú

BRILHO


Tens os trunfos nas mãos,
És bela.
Linda como o botão que se abrirá em pétalas,
Desejada como o pão
Que cobre de luz os horizontes da fome.

És bela, irradiante como o nascer do Sol,
Presente como o suor da luta,
Intensa como a ganância dos homens.

És bela,
És o espaço, a vida.
És a lágrima que brilhou
E se calou,
Resistiu,
Não caiu,
Te olhou de frente,
Te sorriu,
Te beijou
E foi sugada pelo Sol...
                           (Sandro Penelú)

Um dos clássicos de Zé Ramalho, "Garoto de aluguel", com Penelú

segunda-feira, 20 de maio de 2013

ASAS DE CHUMBO


Quero essa loucura agora,
Quero esse momento de paixão
Que o desejo clama.
Quero um beijo de teus lábios carnudos,
O abraço dos teus braços
E o fogo do teu olhar.
Quero te banhar nas águas dessa paixão
E que ela jorre qual cachoeira selvagem...

Quero sentir em mim o teu cheiro,
Quero extraí-la do meu sonho
E vê-la real, invadindo meu quarto
Acercando-se da cama,
Da minha fantasia e de mim.
Quero essa loucura agora,
Pois te amo...  
                         (Sandro Penelú)

Curta "Fugaz", ao vivo, com Sandro Penelú

PULSAÇÃO


A loucura de não me conhecer
finda num estalo de dedos
num pulsar de mãos inquietas,
pensantes até.

O crepúsculo do meu eu
penetra a carne do horizonte
rasgando-o por inteiro
feito punhal alucinado,
feito o feito do desfeito.

São imagens,
são loucuras,
são facetas de um mesmo ser
que ruge escuridão adentro
e sonha qual criança
na tenra inocência...
                            (Sandro Penelú)

FRAGMENTADO


As passadas lentas da tarde
Enlouquecem as folhas
Soltas ao brilho do olhar
E, silenciosas, roubam-me a distância,
Personagem fragmentada,
Inacabada.

Por que teve de me invadir, não sei.
Por que teve de me partir, não sei.
Sei apenas que partiu,
Partiu,
Partiu...
                        (Sandro Penelú)

"Estranho amor", ao vivo

domingo, 19 de maio de 2013

UM SEGUNDO


Uma estrela soberba,
De cabelos esvoaçantes,
Riscou um segundo,
Tempo mais que suficiente
Ou insuficiente
- não sei
Uma estrela viva
Em minha poesia,
Dentro e fora de mim.

A rua, agora vazia,
É como o espectro do silêncio,
Sombra difusa, confusa,
Bailando em mim...
                      (Sandro Penelú)

Com participação de Josas na percussão, "Esotérico"

NOITES


Faceiro,
Dengoso,
Atraente,
O teu jeito.
E tua mãe
Que não sai do portão...
                     (Sandro Penelú)


"Epitáfio" - Voz e violão com Penelú

FRIA IMENSIDÃO


Há passos na calçada,
Sonhos presos ao chão.
O relógio
Ora tique, ora taque,
É pura ilusão.

Bebo o fel da tua ausência,
Num masoquismo amargo
E ainda dou-me gostosas risadas.
É sempre assim
Até confundir-me com a fria imensidão
Do Infinito...
                                       (Sandro Penelú)

"Entre a serpente e a estrela"

sábado, 18 de maio de 2013

CURTO


Bem perto de mim, a ilusão
a fantasia desmascarada.
Finitos sorrisos entre eternos abismos
e eu, calado, enfiado em mim mesmo,
busco-me a milésimos de mim...
                            (Sandro Penelú)

A NONA PORTA


Sumia com frenesi,
entre cabelos estilhaçados.
Mentes inquietas, contemplando pratos,
rostos sujos do melhor batom acinzentado.

Havia em torno uma só porta;
a nona...
a última...
a eterna e nona última porta...
                                    (Sandro Penelú)

Mais uma ao vivo - "Desde que o samba é samba"

sexta-feira, 17 de maio de 2013

MADRUGADA EM MIM

Era noite
E uma infindável clareza
Inundava os cabelos e ventre
De quem serena se entregava ao verbo;
À carne...

Era noite
E o vento gritava alucinado
Numa presença de bronze
Num instante pálido.
Era noite
E eu gotejava calado...
                               (Sandro Penelú)

Com Josas Almeida no pandeiro, "Corcovado"

ARDENDO NA ALMA

O fogo arde na alma
A subconsciência da paixão
E da razão.
No ventre, onde brincam
Ventos e areia,
O punhal que segue cortando
A luxúria e a loucura,
A morte das lembranças
E a clareza do pecado...
E o fogo segue,
Ardendo na alma...
                      (Sandro Penelu)


Voz e violão para "Corações psicodélicos"

FIOS DE CABELO


Era uma noite de olhos e lábios
Uma noite de poeiras...
Eram ventos e fantasmas
Capengas como a própria vida.
Eram turvas as colinas
Sem o romantismo viciado dos quintais.
Eram quatro horas da tarde
E eu não conseguia compreender o tempo,
Mesmo por entre fios de cabelo
Que dançavam, soltos, no ar...
                                (Sandro Penelú)